quinta-feira, 10 de março de 2016

Grandes Projetos em Itaituba e Bacia do Tapajós

Grandes Projetos em Itaituba e Bacia do Tapajós [ [i] ]

Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.
Bispo da Prelazia de Itaituba

Desde os tempos da ditadura militar, grandes projetos são implementados na região amazônica. Estes projetos tiveram enormes impactos na Amazônia brasileira.
Em 1972 foi inaugurada a rodovia Transamazônica (BR 230), que tem seu início em Cabedelo, no litoral atlântico da Paraíba, e deveria atingir Benjamin Constant, no Amazonas, o que daria uma extensão de 4.977 km. Porém a construção foi interrompida em Lábrea, AM, totalizando 4.223 km. Em 1976 foi inaugurada a rodovia Cuiabá-Santarém (BR 163) com uma extensão de 1.764 km. Estas duas rodovias possibilitaram o surgimento de novas cidades e povoados a partir de migrações principalmente do Sul e do Nordeste. Mas possibilitou também um grande desmatamento e a exploração de minérios com consequente devastação do meio ambiente.




Rod. BR 230 (Transamazônica)

Grandes mineradoras se instalaram no Estado do Pará, como a Vale do Rio Doce em Marabá e Paraopebas, a Alcoa em Juruti, e a Mineração Rio do Norte em Porto Trombetas. Há projetos de instalação de várias mineradoras de ouro nas regiões perto das hidrelétricas.
Depois começaram os grandes projetos da construção de hidrelétricas. Por exemplo: Tucuruí (PA) no rio Tocantins (inaugurada 1984) [ [ii] ], Balbina (AM) no Rio Uatumã (1989) [ [iii] ], Santo Antonio (2011) e Jirau (2012) no rio Madeira em Rondônia, e Belo Monte no rio Xingu, em fase final de acabamento.









Agora é a vez de Itaituba e da bacia rio do Tapajós. Estão projetadas até 43 hidrelétricas na bacia tapajônica, sendo as maiores nos rios Tapajós, Teles Pires e Juruena. A primeira a ser construída no rio Tapajós será a de São Luís do Tapajós, município de Itaituba.
A Hidrelétrica de São Luís do Tapajós deverá inundar mais de 200.000 hectares envolvendo unidades de conservação (Parque Nacional da Amazônia, Floresta Nacional Itaituba I e II, Parque Nacional Jamanxim), terras indígenas (Munduruku), comunidades ribeirinhas (Pimental, Magabal, etc.), áreas de colonização e terras públicas em processo de regularização fundiária (Pimental e Ipiranga) [ [iv] ].

Situação, argumentação e propaganda
A situação é que as empreiteiras construtoras de barragens e estradas financiam campanhas eleitorais tanto do poder executivo como do legislativo. Por ex: nas eleições presidenciais de 2010 e 2014 essas empresas foram as maiores financiadoras dos 3 candidatos que tinham chance de vencer as eleições. Assim todos ficaram comprometidos. Após as eleições a maneira que o vencedor tem para devolver a “ajuda” é através dos grandes projetos. A chamada operação “Lava-jato” [ [v] ] está provando que todas as grandes construtoras de hidrelétricas e estradas são as maiores financiadoras das campanhas e estão envolvidas na maior corrupção investigada no Brasil. Vários donos e executivos dessas empresas envolvidos na corrupção estão na cadeia ou fazem acordos de delação premiada [ [vi] ].
A argumentação para justificar a construção de hidrelétricas é que o Brasil precisa crescer e para crescer precisa de energia. Por isso se deve construir as usinas hidrelétricas. A propaganda acusa quem se posiciona contra suas construções de ser contra o progresso.
A propaganda, feitas em aeroportos, TVs, rádios, revistas e jornais, vende a ideia de que a construção vai proporcionar empregos, o comércio irá vender mais, que serão feitos grandes investimentos nas cidades da região, que será bom para todos [ [vii] ]. Um dos argumento de defesa das construções é que as hidrelétricas produzem energia limpa, mas isto não é verdade porque causam danos ao meio ambiente conforme denúncias [ [viii] ].

AÇÕES DO GOVERNO
Em nome do progresso e da necessidade de se ter energia, o Governo passa por cima de tudo, não respeita as leis brasileiras e tratados internacionais assinados pelo Brasil.
Exemplos:

1 – Não faz a Consulta Prévia, Livre e Informada aos indígenas, ribeirinhos e demais afetados por inundações de barragens.
Tanto a Constituição brasileira (art. 231 § 3 [ [ix] ]) como o artigo 169 da Organização Internacional do Trabalho (o Brasil é signatário) [ [x] ] exigem que se faça esta consulta prévia. Até o momento a consulta não foi realizada, mas os estudos já foram feitos, inclusive já foi marcado o leilão (depois foi adiado) para que as empresas assumam a obra. Se uma consulta for realizada, será mero teatro manipulativo e será póstuma [ [xi] ].
Sobre o desrespeito ao cumprimento das leis, o Procurador da República Luís de Camões Lima Boaventura afirma:
“Até agora o principal mecanismo utilizado pelo governo tem sido um dispositivo jurídico chamado Suspensão de Segurança, que permite ao presidente de um tribunal superior suspender qualquer decisão judicial que ordene ajustes nos projetos, sob o argumento de que se eles não forem construídos isso afeta a economia, a ordem, a saúde e a segurança pública. É um dispositivo remanescente da ditadura, que tem uma característica preocupante, porque ele mantém qualquer decisão de um processo judicial suspensa até o trânsito em julgado da ação. Como no Brasil os trâmites judiciais são conhecidos pela lentidão, isso permite que uma usina como a de Belo Monte, por exemplo, seja construída desesrespeitando a lei ambiental, a Convenção 169 e até a Constituição Federal.
No caso de Belo Monte, existem várias decisões em que dizem ser obrigatória a consulta aos povos indígenas. Mas elas não têm validade enquanto o processo não terminar. Para se ter uma ideia, apenas neste ano o processo deve chegar finalmente ao Superior Tribunal Federal - STF. Enquanto isso, a usina de Belo Monte está quase finalizada e todos os especialistas apontam uma situação de etnocídio, que é a morte de culturas indígenas, na região do Xingu. Lá também está em curso a morte de um ecossistema extremamente biodiverso e relevante para o equilíbrio ecológico da Amazônia. Ou seja, com a Suspensão de Segurança, o governo aposta na morosidade da justiça para criar o fato consumado, independente de que efeitos esteja causando nas regiões e povos atingidos e de que leis estejam sendo desrespeitadas.
A mesma coisa ocorreu nas usinas de Teles Pires, São Manoel e Sinop, também construídas com base em Suspensões de Segurança. No caso de São Luiz do Tapajós, o feitiço virou-se, parcialmente, contra o feiticeiro. Temos uma suspensão de segurança pedida pelo próprio governo, que foi concedida pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça - STJ na época, mas na decisão ele assinalou que a consulta prévia deveria ser realizada antes de qualquer licença ser concedida. Por não ter realizado até agora a consulta, o governo estará descumprindo uma decisão judicial se qualquer licença for concedida ao empreendimento.
Em outra Suspensão de Segurança, relacionada à Usina São Luiz do Tapajós, o governo conseguiu adiar a demarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, que seria alagada pelo empreendimento. A Suspensão de Segurança é um instrumento autoritário que subsiste na democracia permitindo a um presidente de tribunal praticamente anular o processo judicial. Contraria o próprio sentido de corte, onde as decisões devem ser tomadas de forma colegiada.
Com tantas Suspensões de Segurança a favor do governo nos casos de usinas hidrelétricas na Amazônia, o Judiciário vem criando uma situação paradoxal, em que a própria justiça está impedida de cobrar o cumprimento das leis. Na prática, quando se trata de usinas hidrelétricas gigantescas na região amazônica, está criado um estado de exceção, uma suspensão da Constituição e das leis, que beneficia algumas empreiteiras e causa prejuízos graves para a coletividade.”[ [xii] ]

2 – Desafeta terras de Parques e Florestas Nacionais [ [xiii] ]
No passado foram criados vários Parques Nacionais e Florestas Nacionais (Flona). Agora projeta-se hidrelétricas que alagarão muitas áreas de Parques e Flonas. Como a lei impede o alagamento, muda-se a lei diminuindo a área dos Parques e Flonas. Assim tudo fica legal e sem problema [ [xiv] ].
Como será inundada uma grande faixa de terra ao longo da margem esquerda do rio Tapajós onde está o Parque Nacional da Amazônia, o Governo – através do deputado federal José Geraldo do PT – entrou com um projeto de lei, que foi aprovado, para desafetar a área que será atingida. O terrível é que este José Geraldo é “cria” da Igreja na Prelazia do Xingu. As comunidades e movimentos eclesiais apoiaram este candidato nas eleições. Só foi eleito devido ao apoio eclesial. Parece que trocou de lado!
É um caso semelhante ao que está acontecendo na Bolívia com a tentativa constante de mudança da legislação para a construção da “carretera Villa Tunari - San Ignacio de Mojos” dentro de Território Indígena e do Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS). A diferença é que no Parque Nacional da Amazônia a legislação já foi mudada.

3 – Não demarca terras indígenas.
Os Munduruku estão em duas regiões: 1) Jacareacanga com o território já demarcado e 2) Itaituba no T.I. (Território Indígena) Daje Kapap Eipi, ainda não demarcado.
Os estudos, pareceres e laudo final para a demarcação do T.I. Daje Kapap Eipi apontam no sentido de que a demarcação deve ser realizada. Só falta a assinatura final. Mas há uma ordem expressa por parte do Governo Federal para que não seja assinado porque boa parte da área será inundada pela represa da hidrelétrica de São Luís do Tapajós [ [xv] ].


Neste caso, os Munduruku fizeram uma auto-demarcação do território, baseando-se no laudo final da própria Funai (Fundação Nacional do Índio). Há também indícios de que ali há índios isolados.
Mesmo com a auto-demarcação, madeireiros estão entrando na área tirando madeira. Há também garimpos na área. A demarcação oficial resolveria estes problemas em parte.

4 – Expulsa ou intimida ribeirinhos
Especificamente aconteceu na região uma tentativa de expulsão dos ribeirinhos das comunidades tradicionais do Mangabal e Montanha. O Governo entrou com uma ação de despejo contra os ribeirinhos acusando-os de serem invasores. Por sorte um professor da Unicamp fazia estudos na área. Ele havia encontrado um documento de 1875 escrito pelo missionário capuchinho Frei Pelino de Castrovalvas. Este documento relata que o religioso visitava a área e dava assistência espiritual aos ribeirinhos e indígenas. Em 24 de fevereiro de 1875 ele naufragou e em seu diário escreveu os nomes daqueles “generosos que, com tanto perigo e sacrifício, salvaram a vida de um pobre missionário e 17 índios em circunstância tão desesperadoras: Antonio Martins de Bragança, Antônio Siqueira dos Anjos e dois outros com o nome de João Siqueira”. Consultando registros de batismos e casamentos, o professor conseguiu provar que alguns moradores eram a 8ª geração daqueles que tinham salvado o missionário e os índios. Portanto não eram invasores e sim moradores na região há mais de um século [ [xvi] ].

5 – Não respeita pareceres ambientais
Todos os pareceres ambientais que apresentam dificuldades para a construção das hidrelétricas não são levados em conta ou simplesmente se diz que os problemas apresentados vão ser resolvidos [ [xvii] ].
Às vezes se toma estudos ambientais feitos em outros rios e regiões, muda-se os nomes e são apresentados como se fossem feitos no local onde será construída a hidrelétrica. Especificamente aconteceu no rio Teles Pires. O estudo apresentado não mencionava a existência de cachoeiras, local de reprodução de peixes e sítios sagrados para os índios [ [xviii] ]. Assim se descobriu que era um estudo de feito em outro rio.
As consequências são desastrosas. Basta mencionar o alagamento de Porto Velho, capital de Rondônia, em 2014, quando boa parte da cidade ficou de baixo da água, inclusive a Delegacia da Receita Federal [ [xix] ]. Também deve-se mencionar o desbarrancamento das margens do rio Madeira [ [xx] ]. Foi reconhecida a culpa das hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio pela Agência Nacional de Águas (ANA) [ [xxi] ].
As denúncias de violações de todo tipo: ambiental, de não cumprimentos de condicionantes, ... feitas pelo Instituto Socioambiental são totalmente ignoradas [ [xxii] e [xxiii] ]. O próprio Ministro das Minas e Energia Eduardo Braga é quem afirma: "Hidrelétrica de Balbina foi um crime ambiental" <http://www.ihu.unisinos.br/noticias/552392-hidreletrica-de-balbina-foi-um-crime-ambiental>.

6 – Modifica decisões judiciais em instâncias superiores
Em 1ª instância muitas vezes os juízes locais, que conhecem bem a situação, dão sentenças de embargo por violação do meio ambiente ou dos direitos dos índios e ribeirinhos, ou ainda por não se cumprir requisitos, normas e leis. Invariavelmente em 2ª instância é tomada uma nova decisão sempre favorável às obras e com argumentação não em cima de fatos e leis mas na vontade e decisão do governo [ [xxiv] ]. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a tomada de uma nova decisão a respeito da continuidade dos trabalhos da Usina Teles Pires porque a paralisação dos trabalhos é “potencialmente lesiva à ordem e à economia públicas, por retardar a ampliação do parque energético brasileiro, previsto no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2)” [ [xxv] ]
Também utiliza o dispositivo jurídico Suspensão de Segurança, como já foi dito acima.

ALGUMAS ESTRATÉGIAS DE AÇÕES CONTRA RESISTÊNCIAS

1 – Fomentar a divisão, desarticular os grupos e mentir
Esta é a tática mais utilizada. É a concretização da máxima romana “Divide et Impera”. Procura-se dividir o povo, dirigentes, instituições, comunidades.... em todos os sentidos.
Há um tal Projeto Diálogo Tapajós [ [xxvi] ], financiado pelas grandes empresas, cujo objetivo aparente é de fomentar o diálogo e esclarecer a população a respeito das hidrelétricas. Tem causado divisão, confusão e desarticulação do povo. Muitas pessoas que eram contra as hidrelétricas, depois de verem apresentações, vídeos, etc. ficam convencidas de que tudo será progresso e benefício para o povo e região [ [xxvii] ]. Um funcionário do Diálogo Tapajós, dando risada, disse: “A nossa função é enganar e mentir para o povo” [ [xxviii] ].
Causa também divisão entre as instituições que trabalham (ou dizem trabalhar) em defesa do povo e do meio ambiente. No caso específico das atuantes na bacia do Tapajós há rivalidade entre algumas ONGs provocada por certas “cobras mandadas” para destilar o veneno da discórdia.
Provoca-se divisão também entre os índios. Até o final de 2013 os Munduruku tinham uma só Associação, chamada Pusuru, que os representava. Como algumas ONGs não dominavam esta associação, causaram discórdia e divisão. Uma nova associação foi constituída. Agora parece que há três. O fato é que há uma divisão clara entre os Munduruku sobre qual associação os representa.
Outro problema que está causando divisão é a entrada de uma determinada igreja evangélica na área indígena. Causa divisão e muitos problemas. Quem se torna evangélico normalmente não participa mais das reuniões, do café comunitário, não aceita mais o cacique (a não ser que ele se torne evangélico) e por isso se elege um novo cacique pra eles. Ataca a cultura e costumes próprios dos Munduruku como se pintar, dançar e usar colares por serem coisas do diabo. O que é intrigante é que até bem pouco tempo atrás, os evangélicos não davam atenção aos índios. Mas de uns anos pra cá começaram a atuar na área indígena. Não é para alarmar ou afirmar, mas pode ser que esteja em jogo o princípio proposto por Rockfeller de que a Igreja Católica deve ser destruída através da disseminação de seitas. Parece que há algo orquestrado, não para destruir a Igreja Católica, mas para dividir os índios através da entrada desta igreja evangélica. Este ano (2015) surgiu uma carta, supostamente escrita por um pastor, propondo que se expulse os “pain” (padres) e irmãs” da Missão São Francisco, onde estão há mais de 100 anos, para que os evangélicos tomem conta. É bom frisar que há uma missão batista fundada por um casal da Suíça em 1966. Com esta missão sempre houve um bom relacionamento com os frades e irmãs. Também o pastor batista está preocupado com a ação de alguns pastores evangélicos que causam divisão e tentam destruir a cultura indígena proibindo pinturas, danças, etc.

2 – Dar “presentes”
Outra tática é dar “presentes” de coisas úteis, como voadeiras com motores de popa, motos, carros, motosserra, combustível.... aos índios. Dão também dinheiro vivo. Tudo isso tem cooptado muitos índios que só se fixam na vantagem do momento.

3 – Cooptar lideranças
Quando descobrem um líder comunitário, a estratégia é cooptá-lo através de um “bom” emprego, ou comprando sua propriedade por um valor muito acima do que vale.

4 – Enviar “mensageiros” para tentar convencer a assinar documentos aceitando as propostas
Aconteceu a “visita” de 3 índios da região do Xingu, onde está sendo construída em fase final da hidrelétrica Belo Monte, às aldeias perto do Pimental (cerca de 80 km acima de Itaituba). Parecia ser uma visita fraterna, mas no fundo era para “aconselhar” os “irmãos índios” a assinarem logo a desistência das terras e pegar o dinheiro oferecido, porque senão vão perder muito ou mesmo tudo. Disseram que suas aldeias não tinham assinado logo e por isso tinham sido prejudicadas.

SITUAÇÃO E POSIÇÃO DOS ÍNDIOS

1 – São totalmente contra as construções
Todos os Munduruku são contra as construções das hidrelétricas que atinjam suas áreas. Neste ponto há união total.

2 – Duas realidades: área demarcada e não-demarcada
Há duas realidades: 1) a de Jacareacanga, onde a terra está demarcada e onde mora a maior parte dos Munduruku, e 2) a do Pimental, onde há duas aldeias e a terra não está demarcada (Sawré Muybu). Possivelmente há uma terceira realidade que é a de índios isolados. Para esta realidade há indícios mas não provas.


3 – Divisão
Como já foi dito acima, há uma certa divisão entre os Munduruku causada por ONGs. A divisão é em relação sobre quem deve negociar e liderar a luta. Há três associações no momento.

4 – Auto-demarcação
Como as terras da região acima do Pimental, na região da foz do rio Jamanxim, não foi demarcada, os Munduruku resolveram fazer uma auto-demarcação. Um grupo de Munduruku, que vivem nas terras demarcadas, ajudou neste trabalho.



5 – Aldeia Teles Pires
Segundo alguém me disse, a aldeia Munduruku Teles Pires, situada perto da hidrelétrica que está sendo construída no rio Teles Pires entre os estados do Pará e Mato Grosso, parece que está aceitando “presentes” das construtoras da barragem. Como não estive lá, não afirmo com segurança que isto esteja acontecendo e muito menos digo que os índios daquela aldeia já se venderam. Se menciono o fato, é pra dizer que existe a tentativa de "compra".

6 – Assembleia dos caciques
No final de agosto de 2015 houve numa das aldeias da região do Pimental uma grande assembleia dos caciques Munduruku. Estes reafirmaram a continuidade da luta contra as hidrelétricas [ [xxix] ].

ALGUMAS AÇÕES JÁ REALIZADAS

1 – Caravana de resistência
Uma ação político-religiosa, também chamada “Caravana de Resistência”, foi realizada em São Luís do Tapajós no dia 27 de novembro de 2014. A iniciativa foi do Pe. Edilberto Sena de Santarém. Contou com a presença dos bispos Dom Wilmar Santin de Itaituba, Dom Erwin Kräutler do Xingu e Dom Flavio Giovenale de Santarém, Padres de várias dioceses e Prelazias, bem como de Pastorais e movimentos eclesiais, de movimentos sociais e instituições. Mais de 100 Munduruku se fizeram presentes. O Ministério Público Federal marcou presença no ato com 2 procuradores [ [xxx] ].
Ao final foi lido um manifesto, que foi assinado por representantes de dezenas de entidades e grupos presentes [ [xxxi] ]. O manifesto foi enviado à presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional, aos órgãos de direitos Humanos da ONU, da OEA e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Vários meios de comunicação registraram o acontecimento, cinegrafistas da Holanda, da França, da Alemanha, de São Paulo, de Santarém e de Itaituba.

2 – Apoio a jornalistas
A Caravana de Resistência chamou atenção para o problema da construção das hidrelétricas na bacia do rio Tapajós. Vários jornalistas do exterior chegaram em Itaituba em busca de informações para reportagens. Membros da Igreja (bispo, padres e leigos ligados a pastorais sociais) sempre foram procurados para dar informações , entrevistas e indicações de pessoas a serem contatadas e entrevistadas. Em alguns casos alguém das pastorais sociais acompanhou os jornalistas em visitas às aldeias e áreas de conflito. Saíram boas reportagens, principalmente na Alemanha e França.

3 – Atuação do Ministério Público Federal
O Ministério Público Federal tem atuado de forma exemplar [ [xxxii] ]. Não tem medido esforço para defender os índios, ribeirinhos e o meio ambiente. Tem entrado constantemente com ações judiciais de embargo. Em geral todas as ações têm tido êxito na primeira instância. Quando chegam à segunda, são derrubadas.

ATUAÇÃO DA IGREJA

Atualmente trabalham na área indígena de Jacareacanga 4 Padres e 6 irmãs. Na área do Pimental há um padre que vai ali a cada 2 ou 3 meses. A CPT e o CIMI também marcam presença nesta última área.

1 – Missão São Francisco

A Missão São Francisco atua com os Munduruku e tem sua base no rio Cururu, primeiro afluente da margem direita do rio Tapajós. É a missão indígena católica mais antiga em atividade no Brasil. A missão foi iniciada pelos franciscanos alemães Fr. Hugo Mense e Fr. Luís Wand em 1910. No ano seguinte, num gesto profético, de grande fé e consciência missionária, foram para a missão Ir. Coleta Caprio, superiora, e as noviças Cecília e Ágata. Estas religiosas pertenciam à recém fundada Congregação da Imaculada Conceição (Smic) em Santarém. Tão logo chegaram, as corajosas irmãs fundaram uma escola e se dedicaram aos doentes. Durante os mais de 100 anos fizeram um trabalho missionário de evangelização e de defesa dos índios. Estes têm um grande carinho e admiração para com os “pain” (padre) e irmãs.[xxxiii]


2 – CPT
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) tem feito um bom trabalho de base com comunidades ribeirinhas e indígenas. Tem feitos reuniões, palestras, encontros, seminários, visitas, ..... Atua tanto na área ribeirinha como nas de conflito agrário no território da BR 163.

3 – CIMI
O Conselho Indigenista Missionário está atuando na área do Tapajós há uns 3 anos. Um membro do CIMI de Belém tem feito regularmente visitas. Em breve será aberto um escritório do CIMI em Itaituba.

4 – Misereor e Adveniat
A Misereor tem ajudado com apoio a vários projetos e com visitas. Também tomou como um exemplo a situação de violação de direitos humanos na região das hidrelétricas e da BR 163.
A Adveniat ajuda em dois projetos de formação e evangelização que visam a estruturação de uma Igreja com rosto mais indígena, ou seja, para que tenham seus próprios ministros.

5 – Visita de Dom Cláudio
O Cardeal Dom Cláudio Hummes visitou Itaituba entre os dias 28 de julho e 1º de agosto de 2015. Fez questão de visitar uma das aldeias que será inundada, se a hidrelétrica for construída. Foi uma visita importante e de apoio aos Munduruku.

6 – Visitas do bispo aos Munduruku
O Bispo da Prelazia tem visitado uma ou duas vezes anualmente aldeias para realizar crismas[xxxiv] e visitar os missionários. Faz questão de fazer as crismas nas próprias aldeias. Tem apoiado as lutas dos Munduruku.









7 – Projeto de Diaconato
O Papa Francisco numa conversa com Dom Cláudio Hummes disse que sonha ver um dia cada aldeia indígena sendo pastoreada por seu próprio padre índio. Dom Cláudio ponderou que para se realizar o sonho se deveria eliminar o celibato. O Papa respondeu: “eu sei, mas vocês podem começar por aquilo que já é permitido, ou seja, com o diaconato permanente”. Para ajudar na realização deste sonho do Papa, a Prelazia está desenvolvendo um programa de formação para se ter diáconos permanentes Munduruku. Primeiro vão ser constituídos Ministros Extraordinários da Eucaristia. Há muitas aldeias onde há celebração dominical da Palavra mas sem Eucaristia. O passo seguinte será conferir os Ministérios do Leitor e Acólito, necessários para o Diaconato. E por último, ordenar diáconos permanentes.

8 – Convite ao Papa para visitar a Missão São Francisco
No dia 1º de agosto de 2015, o Bispo Dom Frei Wilmar Santin da Prelazia de Itaituba enviou um convite ao Papa Francisco para que visite a Missão São Francisco no rio Cururu em 2017, quando o Santo Padre possivelmente visitará o Brasil por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Na carta, argumentou que a visita à mais antiga missão em atividade da Igreja Católica com índios no Brasil “Seria um gesto simbólico, misericordioso e profético de apoio aos índios, sem precedentes.” Também frisou que “Esta visita seria um dos maiores apoios que a Igreja poderia dar à causa indígena não só do Brasil. Vários bispos são criticados e até ameaçados de morte por defenderem os índios. O caso mais conhecido é de Dom Erwin Kräutler, Bispo da Prelazia do Xingu, que precisa inclusive de proteção policial para que não seja assassinado”. Informou o Papa que “Nos últimos tempos há uma verdadeira campanha contra as demarcações de terras indígenas e de difamação dos índios. O argumento principal é: “para que índio quer terra, se ele é preguiçoso?” Há um grupo significativo de deputados federais que sempre fala contra os índios e procura aprovar leis para tirar direitos já adquiridos pelos povos indígenas [ [xxxv] ]. Esta visita seria uma mensagem muito clara sobre de que lado a Igreja está”.

9 – Relacionamento com as ONGs
Com algumas ONGs (por ex.: MAB, Tapajós Vivo e Terra de Direitos) há um bom relacionamentos e trabalho conjunto. Com outras já houve até um certo conflito. Há aquelas que, pelo menos aparentemente, querem se aproveitar do prestígio da Igreja junto aos índios e povo em geral.

10 – A Prelazia de Itaituba vai continuar do lado dos indígenas
A Prelazia de Itaituba vai continuar do lado deles apoiando em suas lutas e defendendo seus direitos. Não vai jogar pela janela mais de 100 anos de trabalho missionário realizado por frades e irmãs.






[i][i] Apresentado no encontro da REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica) em Bogotá, 17/11/2015.
[ii] “Usina Hidrelétrica de Tucuruí: 25 anos de descaso e omissão”: <http://www.midiaindependente.org/pt/red/2009/05/447303.shtml>
[iii] “Balbina, a hidrelétrica que não deu certo”: <http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia1999/Grupo2B/Hidraulica/balbina.htm>
[iv] Dados sobre as UHE de São Luís do Tapajós e Jatobá: <http://www.grupodeestudostapajos.com.br/complexo-tapajos/>
[vi] A empresa Andrade Gutierrez, para fazer um acordo com o Ministério Público confessou subornos em várias obras, inclusive na hidrelétrica de Belo Monte: <http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/11/1711882-andrade-gutierrez-acerta-multa-de-r-1-bi-e-vai-confessar-suborno-em-obras-da-copa.shtml>
[vii] Propaganda da UHE Belo Monte <https://www.youtube.com/watch?v=_216bIsdTbE>
[viii] “AMAZÔNIA APODRECE EM LAGOS DE NOVAS HIDRELÉTRICAS”: <http://reporterbrasil.org.br/2015/07/amazonia-apodrece-em-lagos-de-novas-hidreletricas/>
[ix] Art. 231 § 3: “O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei.”
[x] O DECRETO 5.051/2004 de 19/04/2004 promulga a CONVENÇÃO Nº 169 da ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO - OIT sobre povos indígenas e tribais <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5051.htm>
[xi] “Os Munduruku e a consulta póstuma, por Felício Pontes e Rodrigo Oliveira” <http://racismoambiental.net.br/2014/09/30/os-munduruku-e-a-consulta-postuma-por-felicio-pontes-e-rodrigo-oliveira/>

[xiii] “O iminente sacrifício de 140.000 ha de Floresta Amazônica no altar do PAC”:
[xiv] A LEI Nº 12.678, de 25 de junho de 2012, que altera os limites do Parque Nacional da Amazônia, de outros Parques Nacionais e Flonas:
[xv] “Nós existimos!”, gritam os povos indígenas. A luta pela terra e pela autodeterminação <http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6269&secao=478>
[xvi] Veja mais exemplos: “Mauricio Torres denuncia ações de violência praticadas pelo Ibama e ICMBio contra os ribeirinhos do Pará, populações que têm uma relação de equilíbrio com o meio ambiente”:
[xvii] Exemplo: “Construtora de Belo Monte descumpre condicionantes socioambientais e Ibama não pune”: <http://reporterbrasil.org.br/2013/02/construtora-de-belo-monte-descumpre-condicionantes-socioambientais-ibama-nao-pune/>
[xviii] “O estudo apresentado sequer considera um dos mais graves impactos da usina de Teles Pires que é a destruição das Sete Quedas, corredeiras que têm valor religioso e simbólico para os índios Munduruku e Kayabi e já estão sendo detonadas pelas explosões da obra. Tomados de empréstimo de outras usinas, os estudos apresentados desconsideram os impactos sobre a ictiofauna, uma vez que é na região das Sete Quedas que se reproduzem espécies de grande valor alimentar como piraíba, pacu, pirarara e matrinxã.”
[xxi] ANA diz que usinas agravaram inundações no rio Madeira <http://maisro.com.br/ana-diz-que-usinas-agravaram-inundacoes-no-rio-madeira/>
[xxiii] Instituto Socioambiental (ISA) publica dossiê ‘Belo Monte – Não há condições para a Licença de Operação’ <http://www.ihu.unisinos.br/noticias/544119-instituto-socioambiental-isa-publica-dossie-belo-monte-nao-ha-condicoes-para-a-licenca-de-operacao>
Eduardo Braga, Ministro das Minas e Energia, afirma: "Hidrelétrica de Balbina foi um crime ambiental" <http://www.ihu.unisinos.br/noticias/552392-hidreletrica-de-balbina-foi-um-crime-ambiental>;
[xxvi] A maneira como o diálogo Tapajós se apresenta e trabalha parece ser uma maravilha: <http://www.grupodeestudostapajos.com.br/comunidade/>
[xxvii] Alguns vídeos mostrando como o Diálogo Tapajós faz a propaganda: <http://www.grupodeestudostapajos.com.br/ahe-sao-luiz-do-tapajos-apresentacao-dialogo-tapajos/>
[xxviii] “Diálogo Tapajós: tentativa de lavagem cerebral das comunidades”: <http://www.ihu.unisinos.br/noticias/515343-dialogo-tapajos-tentativa-de-lavagem-cerebral-das-comunidades>
[xxxii] Do Ministério Público federal: A encruzilhada Munduruku: depois de séculos defendendo o Tapajós, barragens ameaçam os vivos e perturbam os mortos
[xxxiii] Um relato abertura das comemorações do centenário da Missão pode ser encontrado na internet: UMA AVENTURA PELO REINO - I ou ABERTURA DO CENTENARIO DA MISSAO FRANCISCANA NO RIO CURURU.
Em 2102 foi realizado um mutirão de visitas para o término das celebrações do centenário da Missão São Francisco: ENCERRAMENTO DO CENTENÁRIO - 2012

domingo, 29 de novembro de 2015

Advento: Tempo rico de espiritualidade e crescimento



Advento: Tempo rico de espiritualidade e crescimento

Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.

O novo Calendário Romano Geral, aprovado por Paulo VI e válido desde 1º de janeiro de 1970, diz: “O tempo do Advento tem uma dupla característica: é tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que se recorda a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens e simultaneamente é o tempo no qual, através desta recordação, o espírito é conduzido à espera da segunda vinda de Cristo no final dos tempos”.
Dentro do ano litúrgico, portanto, o Advento é o tempo que antecede o Natal. Começa sempre no domingo seguinte à solenidade de Cristo Rei, ou seja, quatro domingos antes do dia 25 de dezembro. Por isso é um período de mais ou menos quatro semanas.
É tempo de preparação para o Natal. Todos nós estamos ou somos envolvidos pelo clima natalino. O comércio, com sua propagada, enche a TV e rádios com músicas típicas desta época com Papai Noel. Muita gente ainda manda e recebe cartão de natal. É época em que se compra presentes, roupa nova, prepara-se a ceia, programa-se visitas a parentes e amigos, etc... Muitas paróquias e instituições fazem campanhas para arrecadar cestas de natal e distribuí-las aos pobres. Em todas as igrejas católicas e em muitas casas se arma o presépio, a árvore de natal, etc. O clima natalino envolve direta ou indiretamente a todos no mundo ocidental. Cada um reage a seu modo e se prepara do seu jeito.
Mas qual seria a verdadeira preparação? A verdadeira preparação é aquela que nos leve a ter um encontro pessoal e um compromisso de vida com o Menino Deus. É aquela que nos faça crescer como pessoas na solidariedade, fraternidade e na fé.
Neste sentido, a Igreja nos apresenta algumas figuras bíblicas para nos ajudar na preparação. Em destaque estão: Isaías, João Batista, José e Maria
O Profeta Isaías é do Antigo Testamento. É um dos profetas que alimentou a esperança do povo com a promessa do Emanuel (cf. Is 7,13-17; Mt 1,22-25). É o profeta que, durante o exílio da Babilônia, levou a consolação e a esperança ao povo exilado. Anunciou a libertação, falou de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim os exilados. As principais passagens de Isaías são proclamadas como primeira leitura das missas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para as pessoas de todos os tempos. Seria uma boa preparação ler durante o Advento todo o livro deste grande Profeta.
João Batista foi “mais que um profeta” ou “o maior entre os que nasceram de mulher”, o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (cf. Lc 7,24-30), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1,76-77; 3,1-20). Ele é modelo de uma vida que espera pela realização das promessas de Deus, agindo, anunciando e preparando a chegada da salvação. João Batista é o modelo para que nos tornemos, no mundo de hoje, profetas do Reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado. Ler e meditar as passagens evangélicas sobre João Batista é também algo que ajudará muito na preparação para o Natal.
José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus, também aparecerá algumas vezes nas leituras litúrgicas durante o Advento. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi". José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus. Ele viveu intensamente na fé o período antes e depois do nascimento de Jesus. Por isso sua vida é um convite a vivermos também intensamente na fé este momento.
Maria é o principal modelo, porque foi a escolhida por Deus para ser a mãe do Salvador. Ela se torna modelo do coração que sabe acolher a Palavra e gerar Jesus. Ninguém mais do que ela viveu todo o processo da encarnação do Verbo. Não há melhor maneira de se viver o Advento do que nos unir a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus quis o sim de Maria, Ele também espera o nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se “preparou” para o nascimento de Jesus, nós precisamos preparar-nos para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo. Devemos preparar o nosso coração para que se torne o presépio onde Jesus nascerá novamente. Que ele cresça sempre em nós até atingirmos aquele estágio de comunhão com Cristo, como São Paulo escreveu: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
Que Isaías, João Batista, José e Maria nos ajudem a vivermos o melhor Natal de nossa vida!


domingo, 13 de setembro de 2015

Homilia de Dom Frei Wilmar Santin OCarm - Fatima, 13 de Setembro de 2015


Homilia de Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.
Peregrinação Internacional Aniversária
Fátima, 13 de Setembro de 2015



Caros Peregrinos e Peregrinas,
A narrativa do evangelho deste domingo (Mc 8,27-35) pode ser dividida em duas partes: 1) quem é Jesus e 2) o anúncio da sua paixão e as condições para seguir Jesus.
Mais ou menos na metade de sua atividade missionária, Jesus quis fazer uma avaliação e saber o que o povo estava a pensar sobre quem Ele era. Por isso Jesus perguntou aos Seus discípulos: «Quem dizem os homens que Eu sou?» Pela resposta: «João Baptista, Elias ou um dos profetas», dá para se concluir que o povo percebia que Jesus era um homem especial, um profeta, ou seja, um homem de Deus. Também o povo havia percebido que Jesus continuava a mensagem profética do Antigo Testamento, mas ainda não sabia verdadeiramente quem Ele era.
Então Jesus se dirigiu diretamente aos discípulos e perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a iniciativa e deu a resposta: «Tu és o Messias». Pedro implicitamente estava a dizer que Jesus era o libertador esperado por Israel, o enviado por Deus para libertar o seu Povo e para lhe oferecer a salvação definitiva.
Diferentemente de Mateus, segundo o qual Jesus em seguida se dirigiu primeiro a Pedro dizendo: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...” (Mt 16,17), no evangelho de Marcos, Jesus se dirigiu aos discípulos e os proibiu severamente de divulgar que Ele era o Messias. Muito se tem refletido sobre esta proibição. A interpretação é que o título de Messias estava ligado popularmente a esperanças político-nacionalistas. Com certeza isto criaria problemas para Jesus. Por isso, Jesus deu a ordem para que seus discípulos não falassem disso a ninguém. Era preciso esclarecer, purificar e completar o ensinamento sobre o Messias e a sua missão, para evitar possíveis equívocos. É isso que Jesus vai fazer a partir daquele momento.
Após proibir que se anunciasse que Ele era o Messias, Jesus anunciou claramente a sua paixão, dando a saber, que Ele “tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois”. Este anúncio está na linha do chamado Servo Sofredor apresentado pelo Profeta Isaías, conforme ouvimos na primeira leitura de hoje (Is 50,5-9). Os discípulos poderiam esperar tudo, menos este anúncio. Eles esperavam um Messias glorioso, forte, um grande líder, um rei poderoso, um guerreiro, um juiz incorruptível. Ninguém esperava um Messias servidor e sofredor, como foi anunciado por Isaías.
Nós também temos que dar uma resposta à pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» A nossa resposta poderia ser a mesma de Pedro: “O Messias”, ou “o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16), ou “Aquele que tem palavras de vida eterna” (Cf. Jo 6,68).  Ou ainda as palavras do Papa Francisco: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” (primeira frase da Misericordiae Vultus, a bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia). Poderia ser ainda algumas das afirmações do próprio Jesus: “O Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6), ou “O Bom Pastor” (Jo 10,11), ou “O Pão Vivo descido do céu” (Jo 6,51).
Responder com a boca, é fácil. Também é fácil responder com aquilo que aprendemos na catequese ou em livros. Mas para dar uma resposta verdadeira é necessário interrogar o nosso coração para perceber o lugar que Cristo ocupa na nossa existência. Responder a esta pergunta nos obriga a pensar no significado que Jesus Cristo tem em nossa vida, que atenção damos às suas propostas e exigências, que importância tem os valores apresentados por Ele em nossas atitudes e ações, que esforço fazemos para segui-Lo.
Pedro, sem dúvida, deu a resposta correta: “Tu és o Messias”, mas o que ele entendia por Messias não era o que Jesus entendia. Ele tinha uma ideia deformada a respeito do Messias. Por isso contestou de imediato o anúncio da paixão feito por Jesus. A contestação de Pedro exprime bem sua incapacidade de entender como o mistério de Deus se manifesta em Jesus Cristo. Pode ser também que Pedro intuiu que a sorte reservada a Jesus seria a mesma para os seus discípulos, ou seja, teriam que enfrentar perseguições e morte.
A reação de Jesus à contestação de Pedro foi muito contundente: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens».
Em seguida, Jesus colocou condições exigentes e radicais para segui-lo: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me».
Naquela época, a cruz era a sentença de morte que o Império Romano impunha aos piores marginalizados, bandidos e revoltosos. Tomar a cruz e seguir Jesus significava, portanto, aceitar ser um marginalizado, ser tratado como bandido da pior espécie pelo sistema injusto que legitimava a injustiça. Jesus ao anunciar a cruz fez uma ruptura radical e total com o sistema dos crucificadores. Ele se colocou na perspectiva dos crucificados e não dos crucificadores. "Tomar a sua cruz", hoje em dia, é enfrentar a ditadura do prazer que nos torna cegos para o valor evangélico do sofrimento. Não se trata de apologia da dor e do sofrimento, mas de resgatar a força libertadora, redentora e evangelizadora da cruz.
A cruz, neste sentido, não é fatalismo, nem mesmo uma exigência do Pai. A cruz é a consequência do compromisso livremente assumido por Jesus para revelar a Boa Nova que Deus é Pai e, portanto, todos devem ser aceitos e tratados como irmãos. Devido a este anúncio, Jesus foi perseguido, mas não desistiu de dar a Sua vida por nós: “Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15,13).
O renunciar a si mesmo e tomar a cruz cada dia exige uma conversão contínua, porque como Deus diz em Isaías: “Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos” (Is 55,8). A conversão deve nos levar a assumir os planos e os caminhos de Deus.
Maria, a Mãe de Jesus, é o principal exemplo do renunciar a si mesmo e tomar a cruz cada dia. Ela teve que renunciar aos seus sonhos, como por exemplo, de ter muitos filhos, como qualquer jovem judia tinha na época, para ser a Serva do Senhor. Teve que renunciar a uma vida estável e suportar “várias espadas” a transpassar-lhe o coração. Teve que fugir para o Egito e por fim acompanhar o Filho até o Calvário. Teve que tomar nos braços o Filho morto na cruz e depositá-lo no sepulcro. Renunciou a si mesma, tomou a cruz cada dia e permaneceu fiel até o fim.
Renunciar a si mesmo começa quando deslocamos o nosso ego, quando colocamos no centro da vida o espaço devido a Deus e seu reino (cf. Gl 2,20). Isso faz uma grande diferença num mundo que alimenta a ditadura do ego, do individualismo e do indiferentismo ateu.
Renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz cada dia exige uma conversão contínua. Isto faz parte da mensagem de Fátima. Participar de uma Peregrinação Internacional Aniversária em Fátima e voltar para casa do mesmo jeito, seria uma perda de tempo e mostraria que a pessoa não entendeu o que significa seguir Jesus Cristo. Que a experiência maravilhosa de participação nesta Peregrinação ajude a todos a iniciarem um processo de conversão contínua, renunciando a si mesmos e assumindo a cruz cada dia, imitando Maria, a Mãe de Jesus.

+ Wilmar Santin, O.Carm.
Bispo da Prelazia de Itaituba, Pará - Brasil


sábado, 12 de setembro de 2015

Homilia - Peregrinação Internacional Aniversaria em Fatima - 12-09-2015

Homilia de Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.

Peregrinação Internacional Aniversária 

Fátima, 12 de Setembro de 2015



Amados Peregrinos e Peregrinas,

O evangelho de hoje (Lc 8,19-21) nos traz o episódio em que a Mãe e os irmãos de Jesus foram até onde Ele estava e queriam vê-Lo. Aqui convém explicar que a expressão “irmãos de Jesus”, de acordo com a herança patriarcal de Israel, não significava só os irmãos de sangue e sim também os parentes mais próximos, como os primos. O uso da expressão nesta perícope deve ser entendida à luz da reacção de Jesus e do sentido que Ele dá sobre quem é sua mãe, seus irmãos e irmãs. Na tradição cristã a expressão deste evangelho sempre foi entendida concretamente como sendo os parentes próximos e nunca como possíveis irmãos de sangue, filhos de Maria.
À primeira vista, a reacção de Jesus foi muito estranha. Por exemplo: Ele não foi ao encontro de sua Mãe para abraçá-la e demonstrar todo o amor e carinho que Ele tinha por Ela, como nós faríamos.
O evangelista Marcos descreve a reacção de Jesus um pouco mais detalhada: “Então Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mc 3,34-35).
Jesus com suas palavras não tinha intenção de negar os vínculos de parentesco natural nem desprezar sua mãe, mas alargar o sentido de pertença à Sua família! Para Jesus, o critério para pertencer à família Dele deixa de ser o sanguíneo e passa a ser o espiritual, ou seja, "fazer a vontade de Deus". Para Jesus o que vai definir o verdadeiro sentido de família é a escuta e a prática da Palavra de Deus.
Portanto, é a palavra de Deus que cria uma nova família ao redor de Jesus: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática." Como consequência, Maria se tornou duplamente "mãe": primeiro porque gerou Jesus e segundo porque mais do que ninguém ela soube escutar a Palavra e fazer sempre a vontade de Deus.
Para Jesus, a escuta e a prática da Palavra de Deus devem criar laços familiares mais fortes do que os laços de sangue. E assim, o escutar a Palavra e o pôr em prática esta Palavra produzem o efeito de nos tornar mãe, irmãos e irmãs de Jesus.
Como devotos de Nossa Senhora de Fátima, devemos ter a Mãe de Deus como modelo de vida. Se olharmos a vida de Maria, constataremos que primeiro ela escutou a Palavra e, depois, se tornou a Mãe do Senhor (cf. Lc 1,43). A mesma coisa pode acontecer com cada um de nós hoje, se acolhermos a Palavra que nos é dirigida. Jesus quer crescer no mundo e o principal caminho para este crescimento somos todos nós. Ele quer crescer em nós, como cresceu em São Paulo a tal ponto do grande Apóstolo poder afirmar: “Eu vivo, mas não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
Se acolhermos a sua Palavra, se a contemplarmos e a conservarmos em nosso coração, se lhe dermos espaço, se procurarmos sempre recordá-la, se ela se tornar a luz dos nossos passos, Jesus crescerá em nós, à nossa volta e no mundo.
Maria é o principal modelo de como se deve escutar e acolher a Palavra de Deus na vida. Para nos dispormos interiormente com proveito na escuta e acolhimento da Palavra, devemos estar em atitude constante de conversão e de oração, como está bem claro na mensagem de Fátima.
“Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores” é o pedido feito por Nossa Senhora, em sua aparição aqui em Fátima no dia 19 de Agosto de 1917. Por isso a nossa vida deve se tornar uma oração contínua. Neste contexto, a oração do Rosário deve ter um lugar privilegiado, visto que Ela, em todas as aparições, recomendou rezar o Rosário (terço). Inclusive na última aparição Ela apresentou-se como a Senhora do Rosário e insistiu: “continuem sempre a rezar o terço todos os dias”.
Quero destacar outro aspecto importante da oração tendo como exemplo a própria Mãe de Jesus. A inspiração vem da 1ª leitura (Act 1,6-14) de hoje: a oração em comunidade. O autor dos Actos dos Apóstolos narra que a comunidade primitiva rezava unida: “Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres – entre elas, Maria, mãe de Jesus – e com os irmãos dele”. (Act 1,14). O autor sagrado fez questão de frisar que todos perseveravam na oração em comum e cita explicitamente a presença de Maria, mãe de Jesus, entre eles. Isto quer dizer que, como devotos de Nossa Senhora, devemos imitá-la, além da escuta da Palavra, também na oração em comum. Não podemos ficar numa oração individualista, mas a nossa oração deve nos comprometer com a comunidade e com a Igreja.
O Papa Bento XVI, comentando esta passagem dos Actos, diz:
“Venerar a Mãe de Jesus na Igreja significa aprender dela a ser comunidade que reza. Muitas vezes, a oração é determinada por situações de dificuldade, por problemas pessoais que nos levam a dirigir-nos ao Senhor para receber luz, consolação e ajuda. Maria convida a abrir as dimensões da oração, a dirigir-nos a Deus não só na necessidade, nem só para nós mesmos, mas de modo unânime, perseverante e fiel, com «um só coração e uma só alma» (cf. Act 4, 32) (Audiência Geral - 14 de Março de 2012).
Nós somos chamados à santidade, e para darmos uma resposta positiva a Deus é necessário agir. Para agirmos correctamente, a liturgia de hoje e a mensagem de Fátima nos ensinam que devemos estar sempre a escutar a Palavra de Deus, pôr em prática esta Palavra, rezar sem cessar e ter uma atitude de conversão permanente.
Que esta Peregrinação seja para todos uma experiência inesquecível para que cada um possa permanentemente dar uma resposta positiva ao chamado à santidade. Que a Virgem de Fátima proteja a todos e fortifique-os na fé, na esperança e na caridade. Ámen.

+ Wilmar Santin, O.Carm.
Bispo da Prelazia de Itaituba, Pará - Brasil


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

EU APOIO E POR ISSO ASSINEI A PETIÇÃO

Mais um vez chego até o Senhor com um PEDIDO DE APOIO.
Penso que o Senhor já está sabendo que estamos numa grande Campanha a favor do Marco Regulatório criado para regulamentar nossas Comunidades Terapêuticas. 

Esse regulamento deveria ser aprovado da maneira como foi criado,  isto é, aceitando a nossa forma de atuação que até hoje apresenta ótimos resultados. 

Porém um grupo de profissionais da área da Saúde estão criando uma resistência para que essa regulamentação aconteça, questionando nossos "métodos" de recuperação, inclusive sobre o fato de usarmos a espiritualidade como O Caminho para a mudança de Vida dos jovens que chegam até nós.


Encaminhamos nesse e-mail o material que estamos usando na divulgação da Campanha.

Seria um grande contributo se o Senhor pudesse participar pessoalmente, assinando nossa petição http://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR79306 e também divulgando nos sites da diocese e nas paróquias.
​Fraternalmente
Frei Hans Stapel - ofm
Fazenda da Esperança​
Guaratinguetá - SP - BRASIL

sábado, 29 de novembro de 2014

LAVAR AS MÃOS DO PAI


LAVAR AS MÃOS DO PAI PELA PRIMEIRA VEZ

LIÇÃO DE VIDA - Para refletir

Um jovem foi se candidatar a um alto cargo em uma grande empresa . Passou na entrevista inicial e estava indo ao encontro do diretor para a entrevista final. O diretor viu seu CV, era excelente. E perguntou-lhe: 
- Você recebeu alguma bolsa na escola? - o jovem respondeu - Não.
- Foi o seu pai que pagou pela sua educação?
- Sim - respondeu ele.
- Onde é que seu pai trabalha?
- Meu pai faz trabalhos de serralheria.

O diretor pediu ao jovem para mostrar suas mãos.
O jovem mostrou um par de mãos suaves e perfeitas.

- Você já ajudou seu pai no seu trabalho?
- Nunca, meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.

O Diretor lhe disse:
- Eu tenho um pedido: quando você for para casa hoje, vá e lave as mãos de seu pai. E venha me ver amanhã de manhã.

O jovem sentiu que a sua chance de conseguir o trabalho era alta!

Quando voltou para casa, ele pediu a seu pai para deixá-lo lavar suas mãos.
Seu pai se sentiu estranho, feliz, mas com uma mistura de sentimentos e mostrou as mãos para o filho. O rapaz lavou as mãos de seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que as mãos de seu pai estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Algumas contusões eram tão dolorosas que sua pele se arrepiou quando ele a tocou.

Esta foi a primeira vez que o rapaz se deu conta do significado deste par de mãos trabalhando todos os dias para pagar seus estudos. As contusões nas mãos eram o preço que seu pai teve que pagar por sua educação, suas atividades escolares e seu futuro.
Depois de limpar as mãos de seu pai, o jovem ficou em silêncio organizando e limpando a oficina do pai. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi encontra-se com o Diretor.
O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do moço quando ele perguntou:
- Você pode me dizer o que você fez e aprendeu ontem em sua casa?
O rapaz respondeu: 
- Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar, reconhecer. Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje... Por ajudar o meu pai agora eu percebo o quão difícil e duro é para conseguir fazer algo sozinho. Aprendi a apreciar a importância e o valor de ajudar a família.

O diretor disse: 
- Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conhece os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objetivo na vida. Você está contratado.

Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela o que quer, desenvolve uma mentalidade de "Tenho direito" e sempre se coloca em primeiro lugar. Ignora os esforços de seus pais.
Se somos esse tipo de pais protetores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos?

Você pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, educação de ponta, uma televisão de tela grande... Mas quando você está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, o faça experimentar isso também . Depois de comer, que lave os pratos com seus irmãos e irmãs. Não é porque você não tem dinheiro para contratar alguém que faça isso; é porque você quer amar do jeito certo. Não importa o quão rico você é, você quer entender. Um dia, você vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste jovem.

O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.

(Tradução da postagem de Adri Gehlen Korb)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Carta aos Participantes do XXIV Encontro de CEBs da Transamazônica e BR 163



Carta aos Participantes do XXIV Encontro de CEBs da Transamazônica / Santarém – Cuiabá em Morais Almeida

Queridos a amados irmãos em Cristo,

Gostaria imensamente de estar presente no XXIV Encontro de CEBs da Transamazônica / Santarém – Cuiabá, a ser realizado entre os dias 21 e 24 de agosto de 2014 em Morais Almeida – Paróquia Santa Luzia de Novo Progresso, mas não é possível devido a um problema no meu olho esquerdo.
Quero cumprimentar e saudar a todos, de maneira especial os participantes de fora, ou seja, da Prelazia do Xingu e das dioceses de Cametá, Óbidos e Santarém. A todos da Prelazia de Itaituba, além da saudação, quero dizer que estou feliz com a vossa presença porque confio que a vossa participação se reverterá num grande entusiasmo e revitalização das CEBs em nossa Prelazia. Quero agradecer o povo de Morais Almeida pelo empenho, dedicação e suor na organização e acolhimento dos participantes.
Um dos grandes frutos do Concílio Vaticano II na América Latina foi o reflorescimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). As CEBs tiveram por longos anos um papel importante na vida da Igreja, ajudando-a em sua renovação pós-conciliar e transformação da sociedade. Não tenho dificuldade em afirmar que se o Brasil melhorou, deve-se muito também às CEBs. Falo de CEBs e não simplesmente de Comunidades de Base. A diferença é que as CEBs tem um “E” no meio, que significa ECLESIAL. Portanto tem uma marca essencial e fundamental: a marca da FÉ e da IGREJA.
Com o passar do tempo houve um cansaço e muitas comunidades, que não se renovaram, acabaram desaparecendo.
Nos últimos tempos a Igreja vem insistindo para que se faça uma revitalização das CEBs. Basta ver os documentos de Aparecida, Santarém 2012 e Manaus 2013.
O Papa Francisco em sua mensagem ao 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, realizado entre os dias 7 e 11 de janeiro de 2014, na cidade de Juazeiro do Norte, Ceará, escreveu:
“Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs são um instrumento que permite ao povo “chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos” (n. 178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades Eclesiais de Base “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja”, mas, para isso é preciso que elas “não percam o contato com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular” (Exort. Ap. Evangelii gaudium, 29).
Assim sendo, temos o incentivo e a aprovação oficial da Igreja e do Papa Francisco para as CEBs.
Reconheço que temos um longo caminho a fazer, mas contando com pessoas de fé, como vocês, poderemos revitalizar as CEBs e levar a nosso região a um desenvolvimento que inclua a todos, respeitando o meio ambiente e a vida.
Ao ler os Atos dos Apóstolos, vamos constatar que as primeiras comunidades cristãs, ou seja, as primeiras CEBs foram essencialmente missionárias. Enviavam missionários para fundarem novas comunidades. Com isto o Evangelho foi sendo anunciado a todas as partes do mundo conhecido na época. A dimensão missionária não pode faltar nas CEBs. A Prelazia de Itaituba está vivendo um momento de graça através das Santas Missões Populares. As CEBs devem ter um papel preponderante nas Santas Missões. Quem participar do XXIV Encontro de CEBs deve dar exemplo de ação missionária. Deve se empenhar para organizar círculos bíblicos e fundar novas comunidades. Não pode ter preguiça de visitar as famílias e ser um verdadeiro missionário.
CEB que não se alimenta da Palavra de Deus e da Eucaristia não é verdadeira CEB. Por isso recordo o lema do XXIV Encontro de CEBs da Transamazônica / Santarém – Cuiabá: “Na Palavra de Deus está a nossa Esperança”, mas também que em cada comunidade a Eucaristia seja o ponto central, como afirma o Concílio Vaticano II: a Eucaristia é «fonte e cume de toda a vida cristã» (LG 11).
Por último: estes Encontros das CEBs da Transamazônica / Santarém – Cuiabá não deveriam ser apenas encontros anuais. Deveriam animar os participantes a se organizarem e produzirem frutos em suas Diocese, Prelazias e Paróquias. A minha primeira participação nestes encontros foi no Encontro realizado em Miritituba em 2012. O que resta daquele Encontro além das camisetas? E do Encontro de Anapu? Vamos continuar assim? O desafio é melhorar a organização para que a participação aumente e seja um evento esperado e desejado por todos.
A todos envio a minha bênção episcopal e manifesto a certeza de que o Espírito Santo ajudará para que este encontro produza muitos frutos.
Itaituba, 21 de agosto de 2014.

Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.

Bispo da Prelazia de Itaituba

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