domingo, 29 de novembro de 2015

Advento: Tempo rico de espiritualidade e crescimento



Advento: Tempo rico de espiritualidade e crescimento

Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.

O novo Calendário Romano Geral, aprovado por Paulo VI e válido desde 1º de janeiro de 1970, diz: “O tempo do Advento tem uma dupla característica: é tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que se recorda a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens e simultaneamente é o tempo no qual, através desta recordação, o espírito é conduzido à espera da segunda vinda de Cristo no final dos tempos”.
Dentro do ano litúrgico, portanto, o Advento é o tempo que antecede o Natal. Começa sempre no domingo seguinte à solenidade de Cristo Rei, ou seja, quatro domingos antes do dia 25 de dezembro. Por isso é um período de mais ou menos quatro semanas.
É tempo de preparação para o Natal. Todos nós estamos ou somos envolvidos pelo clima natalino. O comércio, com sua propagada, enche a TV e rádios com músicas típicas desta época com Papai Noel. Muita gente ainda manda e recebe cartão de natal. É época em que se compra presentes, roupa nova, prepara-se a ceia, programa-se visitas a parentes e amigos, etc... Muitas paróquias e instituições fazem campanhas para arrecadar cestas de natal e distribuí-las aos pobres. Em todas as igrejas católicas e em muitas casas se arma o presépio, a árvore de natal, etc. O clima natalino envolve direta ou indiretamente a todos no mundo ocidental. Cada um reage a seu modo e se prepara do seu jeito.
Mas qual seria a verdadeira preparação? A verdadeira preparação é aquela que nos leve a ter um encontro pessoal e um compromisso de vida com o Menino Deus. É aquela que nos faça crescer como pessoas na solidariedade, fraternidade e na fé.
Neste sentido, a Igreja nos apresenta algumas figuras bíblicas para nos ajudar na preparação. Em destaque estão: Isaías, João Batista, José e Maria
O Profeta Isaías é do Antigo Testamento. É um dos profetas que alimentou a esperança do povo com a promessa do Emanuel (cf. Is 7,13-17; Mt 1,22-25). É o profeta que, durante o exílio da Babilônia, levou a consolação e a esperança ao povo exilado. Anunciou a libertação, falou de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim os exilados. As principais passagens de Isaías são proclamadas como primeira leitura das missas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para as pessoas de todos os tempos. Seria uma boa preparação ler durante o Advento todo o livro deste grande Profeta.
João Batista foi mais que um profeta” ou “o maior entre os que nasceram de mulher”, o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (cf. Lc 7,24-30), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1,76-77; 3,1-20). Ele é modelo de uma vida que espera pela realização das promessas de Deus, agindo, anunciando e preparando a chegada da salvação. João Batista é o modelo para que nos tornemos, no mundo de hoje, profetas do Reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado. Ler e meditar as passagens evangélicas sobre João Batista é também algo que ajudará muito na preparação para o Natal.
José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus, também aparecerá algumas vezes nas leituras litúrgicas durante o Advento. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi". José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus. Ele viveu intensamente na fé o período antes e depois do nascimento de Jesus. Por isso sua vida é um convite a vivermos também intensamente na fé este momento.
Maria é o principal modelo, porque foi a escolhida por Deus para ser a mãe do Salvador. Ela se torna modelo do coração que sabe acolher a Palavra e gerar Jesus. Ninguém mais do que ela viveu todo o processo da encarnação do Verbo. Não há melhor maneira de se viver o Advento do que nos unir a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus quis o sim de Maria, Ele também espera o nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se “preparou” para o nascimento de Jesus, nós precisamos preparar-nos para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo. Devemos preparar o nosso coração para que se torne o presépio onde Jesus nascerá novamente. Que ele cresça sempre em nós até atingirmos aquele estágio de comunhão com Cristo, como São Paulo escreveu: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
Que Isaías, João Batista, José e Maria nos ajudem a vivermos o melhor Natal de nossa vida!


domingo, 13 de setembro de 2015

Homilia de Dom Frei Wilmar Santin OCarm - Fatima, 13 de Setembro de 2015


Homilia de Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.
Peregrinação Internacional Aniversária
Fátima, 13 de Setembro de 2015



Caros Peregrinos e Peregrinas,
A narrativa do evangelho deste domingo (Mc 8,27-35) pode ser dividida em duas partes: 1) quem é Jesus e 2) o anúncio da sua paixão e as condições para seguir Jesus.
Mais ou menos na metade de sua atividade missionária, Jesus quis fazer uma avaliação e saber o que o povo estava a pensar sobre quem Ele era. Por isso Jesus perguntou aos Seus discípulos: «Quem dizem os homens que Eu sou?» Pela resposta: «João Baptista, Elias ou um dos profetas», dá para se concluir que o povo percebia que Jesus era um homem especial, um profeta, ou seja, um homem de Deus. Também o povo havia percebido que Jesus continuava a mensagem profética do Antigo Testamento, mas ainda não sabia verdadeiramente quem Ele era.
Então Jesus se dirigiu diretamente aos discípulos e perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a iniciativa e deu a resposta: «Tu és o Messias». Pedro implicitamente estava a dizer que Jesus era o libertador esperado por Israel, o enviado por Deus para libertar o seu Povo e para lhe oferecer a salvação definitiva.
Diferentemente de Mateus, segundo o qual Jesus em seguida se dirigiu primeiro a Pedro dizendo: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...” (Mt 16,17), no evangelho de Marcos, Jesus se dirigiu aos discípulos e os proibiu severamente de divulgar que Ele era o Messias. Muito se tem refletido sobre esta proibição. A interpretação é que o título de Messias estava ligado popularmente a esperanças político-nacionalistas. Com certeza isto criaria problemas para Jesus. Por isso, Jesus deu a ordem para que seus discípulos não falassem disso a ninguém. Era preciso esclarecer, purificar e completar o ensinamento sobre o Messias e a sua missão, para evitar possíveis equívocos. É isso que Jesus vai fazer a partir daquele momento.
Após proibir que se anunciasse que Ele era o Messias, Jesus anunciou claramente a sua paixão, dando a saber, que Ele “tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois”. Este anúncio está na linha do chamado Servo Sofredor apresentado pelo Profeta Isaías, conforme ouvimos na primeira leitura de hoje (Is 50,5-9). Os discípulos poderiam esperar tudo, menos este anúncio. Eles esperavam um Messias glorioso, forte, um grande líder, um rei poderoso, um guerreiro, um juiz incorruptível. Ninguém esperava um Messias servidor e sofredor, como foi anunciado por Isaías.
Nós também temos que dar uma resposta à pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» A nossa resposta poderia ser a mesma de Pedro: “O Messias”, ou “o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16), ou “Aquele que tem palavras de vida eterna” (Cf. Jo 6,68).  Ou ainda as palavras do Papa Francisco: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” (primeira frase da Misericordiae Vultus, a bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia). Poderia ser ainda algumas das afirmações do próprio Jesus: “O Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6), ou “O Bom Pastor” (Jo 10,11), ou “O Pão Vivo descido do céu” (Jo 6,51).
Responder com a boca, é fácil. Também é fácil responder com aquilo que aprendemos na catequese ou em livros. Mas para dar uma resposta verdadeira é necessário interrogar o nosso coração para perceber o lugar que Cristo ocupa na nossa existência. Responder a esta pergunta nos obriga a pensar no significado que Jesus Cristo tem em nossa vida, que atenção damos às suas propostas e exigências, que importância tem os valores apresentados por Ele em nossas atitudes e ações, que esforço fazemos para segui-Lo.
Pedro, sem dúvida, deu a resposta correta: “Tu és o Messias”, mas o que ele entendia por Messias não era o que Jesus entendia. Ele tinha uma ideia deformada a respeito do Messias. Por isso contestou de imediato o anúncio da paixão feito por Jesus. A contestação de Pedro exprime bem sua incapacidade de entender como o mistério de Deus se manifesta em Jesus Cristo. Pode ser também que Pedro intuiu que a sorte reservada a Jesus seria a mesma para os seus discípulos, ou seja, teriam que enfrentar perseguições e morte.
A reação de Jesus à contestação de Pedro foi muito contundente: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens».
Em seguida, Jesus colocou condições exigentes e radicais para segui-lo: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me».
Naquela época, a cruz era a sentença de morte que o Império Romano impunha aos piores marginalizados, bandidos e revoltosos. Tomar a cruz e seguir Jesus significava, portanto, aceitar ser um marginalizado, ser tratado como bandido da pior espécie pelo sistema injusto que legitimava a injustiça. Jesus ao anunciar a cruz fez uma ruptura radical e total com o sistema dos crucificadores. Ele se colocou na perspectiva dos crucificados e não dos crucificadores. "Tomar a sua cruz", hoje em dia, é enfrentar a ditadura do prazer que nos torna cegos para o valor evangélico do sofrimento. Não se trata de apologia da dor e do sofrimento, mas de resgatar a força libertadora, redentora e evangelizadora da cruz.
A cruz, neste sentido, não é fatalismo, nem mesmo uma exigência do Pai. A cruz é a consequência do compromisso livremente assumido por Jesus para revelar a Boa Nova que Deus é Pai e, portanto, todos devem ser aceitos e tratados como irmãos. Devido a este anúncio, Jesus foi perseguido, mas não desistiu de dar a Sua vida por nós: “Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15,13).
O renunciar a si mesmo e tomar a cruz cada dia exige uma conversão contínua, porque como Deus diz em Isaías: “Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos” (Is 55,8). A conversão deve nos levar a assumir os planos e os caminhos de Deus.
Maria, a Mãe de Jesus, é o principal exemplo do renunciar a si mesmo e tomar a cruz cada dia. Ela teve que renunciar aos seus sonhos, como por exemplo, de ter muitos filhos, como qualquer jovem judia tinha na época, para ser a Serva do Senhor. Teve que renunciar a uma vida estável e suportar “várias espadas” a transpassar-lhe o coração. Teve que fugir para o Egito e por fim acompanhar o Filho até o Calvário. Teve que tomar nos braços o Filho morto na cruz e depositá-lo no sepulcro. Renunciou a si mesma, tomou a cruz cada dia e permaneceu fiel até o fim.
Renunciar a si mesmo começa quando deslocamos o nosso ego, quando colocamos no centro da vida o espaço devido a Deus e seu reino (cf. Gl 2,20). Isso faz uma grande diferença num mundo que alimenta a ditadura do ego, do individualismo e do indiferentismo ateu.
Renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz cada dia exige uma conversão contínua. Isto faz parte da mensagem de Fátima. Participar de uma Peregrinação Internacional Aniversária em Fátima e voltar para casa do mesmo jeito, seria uma perda de tempo e mostraria que a pessoa não entendeu o que significa seguir Jesus Cristo. Que a experiência maravilhosa de participação nesta Peregrinação ajude a todos a iniciarem um processo de conversão contínua, renunciando a si mesmos e assumindo a cruz cada dia, imitando Maria, a Mãe de Jesus.

+ Wilmar Santin, O.Carm.
Bispo da Prelazia de Itaituba, Pará - Brasil


sábado, 12 de setembro de 2015

Homilia - Peregrinação Internacional Aniversaria em Fatima - 12-09-2015

Homilia de Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.

Peregrinação Internacional Aniversária 

Fátima, 12 de Setembro de 2015



Amados Peregrinos e Peregrinas,

O evangelho de hoje (Lc 8,19-21) nos traz o episódio em que a Mãe e os irmãos de Jesus foram até onde Ele estava e queriam vê-Lo. Aqui convém explicar que a expressão “irmãos de Jesus”, de acordo com a herança patriarcal de Israel, não significava só os irmãos de sangue e sim também os parentes mais próximos, como os primos. O uso da expressão nesta perícope deve ser entendida à luz da reacção de Jesus e do sentido que Ele dá sobre quem é sua mãe, seus irmãos e irmãs. Na tradição cristã a expressão deste evangelho sempre foi entendida concretamente como sendo os parentes próximos e nunca como possíveis irmãos de sangue, filhos de Maria.
À primeira vista, a reacção de Jesus foi muito estranha. Por exemplo: Ele não foi ao encontro de sua Mãe para abraçá-la e demonstrar todo o amor e carinho que Ele tinha por Ela, como nós faríamos.
O evangelista Marcos descreve a reacção de Jesus um pouco mais detalhada: “Então Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mc 3,34-35).
Jesus com suas palavras não tinha intenção de negar os vínculos de parentesco natural nem desprezar sua mãe, mas alargar o sentido de pertença à Sua família! Para Jesus, o critério para pertencer à família Dele deixa de ser o sanguíneo e passa a ser o espiritual, ou seja, "fazer a vontade de Deus". Para Jesus o que vai definir o verdadeiro sentido de família é a escuta e a prática da Palavra de Deus.
Portanto, é a palavra de Deus que cria uma nova família ao redor de Jesus: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática." Como consequência, Maria se tornou duplamente "mãe": primeiro porque gerou Jesus e segundo porque mais do que ninguém ela soube escutar a Palavra e fazer sempre a vontade de Deus.
Para Jesus, a escuta e a prática da Palavra de Deus devem criar laços familiares mais fortes do que os laços de sangue. E assim, o escutar a Palavra e o pôr em prática esta Palavra produzem o efeito de nos tornar mãe, irmãos e irmãs de Jesus.
Como devotos de Nossa Senhora de Fátima, devemos ter a Mãe de Deus como modelo de vida. Se olharmos a vida de Maria, constataremos que primeiro ela escutou a Palavra e, depois, se tornou a Mãe do Senhor (cf. Lc 1,43). A mesma coisa pode acontecer com cada um de nós hoje, se acolhermos a Palavra que nos é dirigida. Jesus quer crescer no mundo e o principal caminho para este crescimento somos todos nós. Ele quer crescer em nós, como cresceu em São Paulo a tal ponto do grande Apóstolo poder afirmar: “Eu vivo, mas não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
Se acolhermos a sua Palavra, se a contemplarmos e a conservarmos em nosso coração, se lhe dermos espaço, se procurarmos sempre recordá-la, se ela se tornar a luz dos nossos passos, Jesus crescerá em nós, à nossa volta e no mundo.
Maria é o principal modelo de como se deve escutar e acolher a Palavra de Deus na vida. Para nos dispormos interiormente com proveito na escuta e acolhimento da Palavra, devemos estar em atitude constante de conversão e de oração, como está bem claro na mensagem de Fátima.
Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadoresé o pedido feito por Nossa Senhora, em sua aparição aqui em Fátima no dia 19 de Agosto de 1917. Por isso a nossa vida deve se tornar uma oração contínua. Neste contexto, a oração do Rosário deve ter um lugar privilegiado, visto que Ela, em todas as aparições, recomendou rezar o Rosário (terço). Inclusive na última aparição Ela apresentou-se como a Senhora do Rosário e insistiu: “continuem sempre a rezar o terço todos os dias”.
Quero destacar outro aspecto importante da oração tendo como exemplo a própria Mãe de Jesus. A inspiração vem da 1ª leitura (Act 1,6-14) de hoje: a oração em comunidade. O autor dos Actos dos Apóstolos narra que a comunidade primitiva rezava unida: Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres – entre elas, Maria, mãe de Jesus – e com os irmãos dele”. (Act 1,14). O autor sagrado fez questão de frisar que todos perseveravam na oração em comum e cita explicitamente a presença de Maria, mãe de Jesus, entre eles. Isto quer dizer que, como devotos de Nossa Senhora, devemos imitá-la, além da escuta da Palavra, também na oração em comum. Não podemos ficar numa oração individualista, mas a nossa oração deve nos comprometer com a comunidade e com a Igreja.
O Papa Bento XVI, comentando esta passagem dos Actos, diz:
Venerar a Mãe de Jesus na Igreja significa aprender dela a ser comunidade que reza. Muitas vezes, a oração é determinada por situações de dificuldade, por problemas pessoais que nos levam a dirigir-nos ao Senhor para receber luz, consolação e ajuda. Maria convida a abrir as dimensões da oração, a dirigir-nos a Deus não só na necessidade, nem só para nós mesmos, mas de modo unânime, perseverante e fiel, com «um só coração e uma só alma» (cf. Act 4, 32) (Audiência Geral - 14 de Março de 2012).
Nós somos chamados à santidade, e para darmos uma resposta positiva a Deus é necessário agir. Para agirmos correctamente, a liturgia de hoje e a mensagem de Fátima nos ensinam que devemos estar sempre a escutar a Palavra de Deus, pôr em prática esta Palavra, rezar sem cessar e ter uma atitude de conversão permanente.
Que esta Peregrinação seja para todos uma experiência inesquecível para que cada um possa permanentemente dar uma resposta positiva ao chamado à santidade. Que a Virgem de Fátima proteja a todos e fortifique-os na fé, na esperança e na caridade. Ámen.

+ Wilmar Santin, O.Carm.
Bispo da Prelazia de Itaituba, Pará - Brasil


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

EU APOIO E POR ISSO ASSINEI A PETIÇÃO

Mais um vez chego até o Senhor com um PEDIDO DE APOIO.
Penso que o Senhor já está sabendo que estamos numa grande Campanha a favor do Marco Regulatório criado para regulamentar nossas Comunidades Terapêuticas. 

Esse regulamento deveria ser aprovado da maneira como foi criado,  isto é, aceitando a nossa forma de atuação que até hoje apresenta ótimos resultados. 

Porém um grupo de profissionais da área da Saúde estão criando uma resistência para que essa regulamentação aconteça, questionando nossos "métodos" de recuperação, inclusive sobre o fato de usarmos a espiritualidade como O Caminho para a mudança de Vida dos jovens que chegam até nós.


Encaminhamos nesse e-mail o material que estamos usando na divulgação da Campanha.

Seria um grande contributo se o Senhor pudesse participar pessoalmente, assinando nossa petição http://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR79306 e também divulgando nos sites da diocese e nas paróquias.
​Fraternalmente
Frei Hans Stapel - ofm
Fazenda da Esperança​
Guaratinguetá - SP - BRASIL

sábado, 29 de novembro de 2014

LAVAR AS MÃOS DO PAI


LAVAR AS MÃOS DO PAI PELA PRIMEIRA VEZ

LIÇÃO DE VIDA - Para refletir

Um jovem foi se candidatar a um alto cargo em uma grande empresa . Passou na entrevista inicial e estava indo ao encontro do diretor para a entrevista final. O diretor viu seu CV, era excelente. E perguntou-lhe: 
- Você recebeu alguma bolsa na escola? - o jovem respondeu - Não.
- Foi o seu pai que pagou pela sua educação?
- Sim - respondeu ele.
- Onde é que seu pai trabalha?
- Meu pai faz trabalhos de serralheria.

O diretor pediu ao jovem para mostrar suas mãos.
O jovem mostrou um par de mãos suaves e perfeitas.

- Você já ajudou seu pai no seu trabalho?
- Nunca, meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.

O Diretor lhe disse:
- Eu tenho um pedido: quando você for para casa hoje, vá e lave as mãos de seu pai. E venha me ver amanhã de manhã.

O jovem sentiu que a sua chance de conseguir o trabalho era alta!

Quando voltou para casa, ele pediu a seu pai para deixá-lo lavar suas mãos.
Seu pai se sentiu estranho, feliz, mas com uma mistura de sentimentos e mostrou as mãos para o filho. O rapaz lavou as mãos de seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que as mãos de seu pai estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Algumas contusões eram tão dolorosas que sua pele se arrepiou quando ele a tocou.

Esta foi a primeira vez que o rapaz se deu conta do significado deste par de mãos trabalhando todos os dias para pagar seus estudos. As contusões nas mãos eram o preço que seu pai teve que pagar por sua educação, suas atividades escolares e seu futuro.
Depois de limpar as mãos de seu pai, o jovem ficou em silêncio organizando e limpando a oficina do pai. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi encontra-se com o Diretor.
O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do moço quando ele perguntou:
- Você pode me dizer o que você fez e aprendeu ontem em sua casa?
O rapaz respondeu: 
- Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar, reconhecer. Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje... Por ajudar o meu pai agora eu percebo o quão difícil e duro é para conseguir fazer algo sozinho. Aprendi a apreciar a importância e o valor de ajudar a família.

O diretor disse: 
- Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conhece os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objetivo na vida. Você está contratado.

Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela o que quer, desenvolve uma mentalidade de "Tenho direito" e sempre se coloca em primeiro lugar. Ignora os esforços de seus pais.
Se somos esse tipo de pais protetores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos?

Você pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, educação de ponta, uma televisão de tela grande... Mas quando você está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, o faça experimentar isso também . Depois de comer, que lave os pratos com seus irmãos e irmãs. Não é porque você não tem dinheiro para contratar alguém que faça isso; é porque você quer amar do jeito certo. Não importa o quão rico você é, você quer entender. Um dia, você vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste jovem.

O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.

(Tradução da postagem de Adri Gehlen Korb)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Carta aos Participantes do XXIV Encontro de CEBs da Transamazônica e BR 163



Carta aos Participantes do XXIV Encontro de CEBs da Transamazônica / Santarém – Cuiabá em Morais Almeida

Queridos a amados irmãos em Cristo,

Gostaria imensamente de estar presente no XXIV Encontro de CEBs da Transamazônica / Santarém – Cuiabá, a ser realizado entre os dias 21 e 24 de agosto de 2014 em Morais Almeida – Paróquia Santa Luzia de Novo Progresso, mas não é possível devido a um problema no meu olho esquerdo.
Quero cumprimentar e saudar a todos, de maneira especial os participantes de fora, ou seja, da Prelazia do Xingu e das dioceses de Cametá, Óbidos e Santarém. A todos da Prelazia de Itaituba, além da saudação, quero dizer que estou feliz com a vossa presença porque confio que a vossa participação se reverterá num grande entusiasmo e revitalização das CEBs em nossa Prelazia. Quero agradecer o povo de Morais Almeida pelo empenho, dedicação e suor na organização e acolhimento dos participantes.
Um dos grandes frutos do Concílio Vaticano II na América Latina foi o reflorescimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). As CEBs tiveram por longos anos um papel importante na vida da Igreja, ajudando-a em sua renovação pós-conciliar e transformação da sociedade. Não tenho dificuldade em afirmar que se o Brasil melhorou, deve-se muito também às CEBs. Falo de CEBs e não simplesmente de Comunidades de Base. A diferença é que as CEBs tem um “E” no meio, que significa ECLESIAL. Portanto tem uma marca essencial e fundamental: a marca da e da IGREJA.
Com o passar do tempo houve um cansaço e muitas comunidades, que não se renovaram, acabaram desaparecendo.
Nos últimos tempos a Igreja vem insistindo para que se faça uma revitalização das CEBs. Basta ver os documentos de Aparecida, Santarém 2012 e Manaus 2013.
O Papa Francisco em sua mensagem ao 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, realizado entre os dias 7 e 11 de janeiro de 2014, na cidade de Juazeiro do Norte, Ceará, escreveu:
Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs são um instrumento que permite ao povo “chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos” (n. 178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades Eclesiais de Base “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja”, mas, para isso é preciso que elas “não percam o contato com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular” (Exort. Ap. Evangelii gaudium, 29).
Assim sendo, temos o incentivo e a aprovação oficial da Igreja e do Papa Francisco para as CEBs.
Reconheço que temos um longo caminho a fazer, mas contando com pessoas de fé, como vocês, poderemos revitalizar as CEBs e levar a nosso região a um desenvolvimento que inclua a todos, respeitando o meio ambiente e a vida.
Ao ler os Atos dos Apóstolos, vamos constatar que as primeiras comunidades cristãs, ou seja, as primeiras CEBs foram essencialmente missionárias. Enviavam missionários para fundarem novas comunidades. Com isto o Evangelho foi sendo anunciado a todas as partes do mundo conhecido na época. A dimensão missionária não pode faltar nas CEBs. A Prelazia de Itaituba está vivendo um momento de graça através das Santas Missões Populares. As CEBs devem ter um papel preponderante nas Santas Missões. Quem participar do XXIV Encontro de CEBs deve dar exemplo de ação missionária. Deve se empenhar para organizar círculos bíblicos e fundar novas comunidades. Não pode ter preguiça de visitar as famílias e ser um verdadeiro missionário.
CEB que não se alimenta da Palavra de Deus e da Eucaristia não é verdadeira CEB. Por isso recordo o lema do XXIV Encontro de CEBs da Transamazônica / Santarém – Cuiabá: Na Palavra de Deus está a nossa Esperança”, mas também que em cada comunidade a Eucaristia seja o ponto central, como afirma o Concílio Vaticano II: a Eucaristia é «fonte e cume de toda a vida cristã» (LG 11).
Por último: estes Encontros das CEBs da Transamazônica / Santarém – Cuiabá não deveriam ser apenas encontros anuais. Deveriam animar os participantes a se organizarem e produzirem frutos em suas Diocese, Prelazias e Paróquias. A minha primeira participação nestes encontros foi no Encontro realizado em Miritituba em 2012. O que resta daquele Encontro além das camisetas? E do Encontro de Anapu? Vamos continuar assim? O desafio é melhorar a organização para que a participação aumente e seja um evento esperado e desejado por todos.
A todos envio a minha bênção episcopal e manifesto a certeza de que o Espírito Santo ajudará para que este encontro produza muitos frutos.
Itaituba, 21 de agosto de 2014.

Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.

Bispo da Prelazia de Itaituba

quinta-feira, 24 de julho de 2014

FREI AFONSO PFLAUM



FREI AFONSO PFLAUM, O.CARM.
(1939 - + 2014)



Frei Afonso Pflaum nasceu dia 19 de fevereiro de 1939 em Bamberg, Alemanha. Seus pais eram agricultores e moravam na cidadezinha (Dorf = aldeia) Dietendorf. Foi batizado já no dia seguinte de seu nascimento com o nome de Friedrich (Fritz).
Em 1949 entrou no Seminário Marianum dos carmelitas em Bamberg. No dia 7 de setembro de 1958 iniciou seu noviciado em Straubing, recebendo o nome de Afonso. Emitiu seus primeiros votos na Ordem do Carmo dia 8 de setembro de 1959. Estudou Filosofia e Teologia em Bamberg. Em 30 de outubro de 1961 recebeu a Tonsura; e as Ordens Menores, dia 23 de dezembro de 1961. Professou seus votos perpétuos dia 8 de setembro de 1962. Seu Subdiaconato aconteceu dia 17 de fevereiro de 1963 e foi ordenado diácono dia 9 de março de 1963. Foi ordenado sacerdote dia 26 de julho de 1964 na catedral de Bamberg. Após a ordenação trabalhou como prefeito no Seminário Marianum.
 Em 1966 foi designado para trabalhar no Brasil, mais precisamente para substituir o Frei Rafael Mainka, que estava muito doente, como professor no Seminário Imaculada Conceição de Graciosa. Seu envio missionário aconteceu dia 23 de outubro de 1966 na Igreja dos Carmelitas de Bamberg. Partiu do porto de Hamburgo para o Brasil dia 2 de novembro de 1966. No seminário de Graciosa foi professor de Latim, Religião, Alemão e Grego nos anos 1967-68.
Em 1969 Frei Afonso Pflaum transferido para Curitiba como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Vila Fanny, formador dos junioristas e mestre de noviços. Em 1973 trabalhou em Paranavaí como vigário paroquial da Paróquia São Sebastião. De 1974 a 1979 foi pároco em Graciosa. Nos anos 1980 e 1981 foi diretor do Seminário São João da Cruz em Paranavaí e vigário paroquial da Paróquia São Sebastião.
Em 1982 foi transferido para Camocim de São Félix, PE, como mestre de noviços do noviciado interprovincial dos carmelitas do Brasil, mas também foi pároco nesta cidade pernambucana. Em 1988 foi eleito Comissário Provincial dos Carmelitas do Paraná e por isso retornou a Paranavaí. Em 1989 ajudou Frei Joaquim Knoblauch na Paróquia Bom Jesus de Dourados, MS, como vigário paroquial. Retornou a Graciosa como pároco. Nos anos 1996-98 trabalhou em Angélica, MS, como pároco. Ali recebeu o título de cidadão Honorário desta cidade mato-grossense-do-sul. Em 1999 retornou a Curitiba como pároco até o início de 2002. Depois mais uma vez foi designado para trabalhar em Graciosa.  Em 2005 foi novamente para Paranavaí como vigário Paroquial da Paróquia São Sebastião. Em 2006 foi transferido para Dourados, MS. Em 2008 foi para Curitiba, mas desta vez para o Mosteiro Monte Carmelo. Em setembro de 2009 retornou para a Alemanha, indo morar em Straubing, onde havia feito o noviciado.
Em março de 2013 foi transferido para Bamberg, mas em julho foi diagnosticado um tumor maligno em seu pâncreas. Seu último ano de vida, viveu em sua casa materna em Dietendorf. Aceitou a doença com grande resignação, paciência e sem reclamação. Faleceu dia 22 de julho de 2014, quatro dias antes de completar 50 anos de sua Ordenação Sacerdotal. Foi sepultado justamente no dia de seu Jubileu de Ouro Sacerdotal, ou seja, dia 26 de julho de 2014 – Festa de São Joaquim e Santa Ana, pais e Nossa Senhora e avós de Jesus.

Frei Afonso Pflaum foi um homem de oração. Todos que conviveram com ele são testemunhas disto. Tinha um exemplar zelo pastoral. Além de ter trabalhado em várias paróquias e comunidades, dedicou-se muito a movimentos eclesiais como Cursilho de Cristandade, Movimento Familiar Cristão, T.L.C. Por onde passou deixou saudades e muitas amizades, mas principalmente deixou a imagem de um grande carmelita, excelente sacerdote e dedicado missionário. O grande número de transferências mostra que ele foi um grande obediente e disponível para ir onde fosse necessário. Os carmelitas do Paraná e do Brasil devem muito a ele por ter trabalhado muito na formação. Várias gerações de carmelitas brasileiros receberam a sua orientação espiritual, humana e religiosa. Sua espiritualidade deixava marcas por onde passava. Estava sempre disponível para ser transferido.

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